domingo, 29 de setembro de 2013

Holanda e o batizado da Laurinha - Capítulo 2

Acordamos atrasados no dia da viagem, e ainda precisava terminar de arrumar as malas. Saímos atrasados, e perdemos o ônibus. Pegamos o ônibus seguinte, e pegamos um trem pro aeroporto que passou rapidinho. E aí o trem comecou a ter que parar pra outros trens passarem várias e várias vezes, de forma que atrasou.

Chegamos bufando ao guichê (não confudir com chegamos guinchando ao bufê) pro check-in, e a dona olha pra nós e pergunta:
- Vocês já fizeram o check-in ?
- Não, o check-in online não funcionou, porque estamos viajando com bebê, e o site nos disse pra procurar o guichê..
- Mas vocês não tentaram nas máquinas no saguão? Com certeza nelas funciona.
- Não tentamos, porque estamos atrasados, e viemos pra cá direto.
- Pra onde é o vôo de vocês?
- Amsterdam.
- É, o check-in fecha em 4 minutos, vou fazer aqui.
<tap-tap-tap-tap-tap-tap-tap>
- A sua passagem inclui bagagem?
- Que eu saiba sim, pelo menos procurei um monte alguma letrinha miúda de sacanagem dizendo que não incluía, e não falava nada.
- Ah, é nova política da companhia, nenhuma passagem inclui bagagem. O senhor tem que pagar 215 coroas pela mala.

Fazer o quê, paga-se a mardita mala. Claro que o cartão não funcionou, e então precisamos ir ao balcão da loja da KLM pra pagar a bagagem. Nisso, o embarque do nosso vôo abria às 9:10, e já eram 9:05. Falei pra Aninha já ir subindo com a Laurinha  e me esperar na entrada do raio-X. Fui ao balcão da KLM e falei com a dona que queria pagar a bagagem. A senhora, super bem-humorada e simpática, comeca e digitar meus dados com uma calma paquidérmica. Aí toca um telefone, e ela atende, e comeca a resolver um problema de outro cliente. Numa brecha que deu na conversa, eu falei pra ela que nosso embarque já tinha comecado, e eu precisava daquilo meio com pressa. A dona parecia que tinha tomada Activia com Johnny Walker, e continuou na mesma. Terminado o processo, saí correndo escada acima (esqueci que é proibido correr em aeroporto, acho que por pouco não tomei um chacoalho da polícia pra completar o dia), e na entrada do raio-X, percebemos que só tínhamos dois cartões de embarque. Desci correndo de novo pro guichê e falei com a dona que faltava um cartão. Mais tap-tap-tap-tap no computador, sai o cartão, passamos pelo raio-x, disparada pelo terminar até o portão, e na entrada disseram que já iam nos chamar no microfone. Mas pegamos o vôo.

Chegamos a Amsterdam à uma da tarde, e paramos pra almocar no aeroporto mesmo, porque já tinha passado muito do horário de almoco da Laurinha. Depois, pegamos o trem pra estacão central de Amsterdam, e de lá descobrimos qual era o bonde que ia pro hotel. Naturalmente, chovendo.
Chegando ao hotel, tinha problema na reserva. A deles dizia que era uma pessoa só, e a minha dizia que éramos três. Estiquei o papel pra menina e fiz cara de "o problema não é meu, eu tenho até um papel", e com mais alguns minutos, a coisa se resolveu. Por aí já eram umas 3 e tanto da tarde, e tínhamos combinado de encontrar o padre em Gouda (55 minutos de trem)  às 17:00.

Pra resumir, saímos atrasados, na chuva, o trem atrasou, o padre ficou preso no trânsito, chegamos em Gouda e não tínhamos o endereco da igreja, continuava chovendo, conseguimos o endereco, o GPS do meu celular não nos achava, e o da Ana achou mas só tinha 20% de bateria.

Na caminhada da estacão pra igreja, com frio, molhados, o padre escreve se oferecendo pra nos buscar de carro, mas dissemos que já estávamos perto. Aí ele diz "então vou comecar a fazer um café". Por incrível que pareca, essas palavras tiveram o poder de melhorar o dia em 80%.

Nos encontramos com o padre na Igreja de São José, sede da paróquia. Na entrada, um gato de coleira veio nos receber, e a Laurinha fez a festa andando atrás dele e falando "tatinho, tatinho". Segundo o padre, é um gato católico. A conversa com o padre Theodorus foi bem isso: uma conversa. Batemos papo sobre as famílias, e sobre como ele foi parar no Brasil, e sobre o meu doutorado, o mestrado da Ana e sobre o doutorado dele, tudo regado a café com bolo. Sujeito interessantíssimo, com pontos de vista e posturas muito mais humanas e abertas do que esperávamos. Acho que pra ser missionário na África, o sujeito tem que ser mais flexível e menos "dono da bola". Comentamos que tínhamos pensado em convidar os parentes do meu pai que ainda moravam por ali, mas que não tínhamos muito contato, então estávamos meio receosos. Ele perguntou se tínhamos os enderecos, poque ele podia nos levar de carro pra convidarmos pessoalmente. Enquanto isso, a Laurinha tocava o terror na sacristia, brincando com as velas, os vasos, os pôsteres e o que mais conseguisse alcancar. No final, ele nos levou de carro até a estacão de trem pra voltarmos pra Amsterdam, o que fizemos bem mais felizes do que estivemos a maior parte do dia.

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