E chegou o dia do batizado em si.
Levantamos cedo e fomos encontrar o Gui e a Amanda na estacão de trem, desta vez sem muitos contratempos. A viagem de trem foi tranquila, e chegamos em Gouda num prazo bom.
Preciso fazer um breque aqui pra dizer que, depois da conversa com o padre, quando finalmente tivemos certeza de que o batizado ia mesmo dar certo, resolvemos convidar mais pessoas. Já tínhamos pensado em convidar alguns parentes do meu pai que moram lá e com quem ainda temos algum tipo de contato, mas com todas as incertezas, não tínhamos chamado ainda. Aí, faltando três dias pra data, mandei um email pro Ronald, primo do meu pai e filho da irmã cacula do meu avô. Expliquei que estávamos na Holanda, que íamos batizar a Laurinha em Gouda, e que entendíamos que era muito em cima da hora, num dia de semana e etc, mas que, se ele achasse que era possível aparecer, ficaríamos felizes. Também escrevi pro Rudchen, um holandês que foi intercambista na PUC em 2005 e morou na mesma república que a Ana. Pra nossa surpresa, as respostas foram extremanente positivas. O Rudchen já de cara avisou que ia tirar folga do trabalho e ia com certeza. O Ronald também disse que ia, mas que a esposa não poderia ir, pra cuidar da flora deles, e perguntou se ele podia chamar os pais e o irmão. Claro que podia, e nos três dias seguintes recebemos um série de telefonemas deles pra acertar tudo.
Então, voltando ao dia do batizado, chegamos em Gouda e, enquanto procurávamos uma rampa pra sair com o carrinho, sinto uma mão batendo no meu ombro e um abraco. Dois segundos depois do susto, vejo que é o Rudchen, que chegou na mesma hora que a gente, mas no trem que vinha da outra direcão. Boa coincidência pra comecar a botar o papo em dia, e pra ter um nativo nos ajudando a encontrar o caminho, já que a igreja do batizado não era a mesma onde nos encontramos com o padre.
Chegamos à Igreja de Nossa Senhora da Assuncão (Onze-Lieve-Vrouw Hemelvaartkerk) faltando 5 minutos pras 11, e pra nossa surpresa, o padre já estava lá, mas os parentes não. No caminho, o Ronald tinha telefonado, dizendo que tinha ido pra outra igreja, e o Peter, irmão dele, também. Comecamos a arrumar a Laurinha e a nos arrumar, e nesse meio tempo chegaram a Tia Nel e Tio Gerard, que também tinham ido antes à igreja errada (mais tarde, vendo os emails, percebi que eu mandei o endereco da outra igreja por engano. Mea culpa, mea culpa, mea culpa). Os dois estavam extremamente curiosos pra entender afinal de contas porque é que a Laurinha ia ser batizada lá, Pouco depois chegaram o Ronald, que junto com os tios, eu tinha encontrado pela última vez há 19 anos atrás, e o Peter, que eu não conhecia. Todo mundo empolgado, curioso e feliz. Perguntaram dos meus pais, lembravam nossos nomes e perguntaram do Nando, já que ele não estava lá.
No fim, isso não foi problema, porque a coisa toda foi bastante informal. Mesmo assim, foi tudo bem bonito e emocionante, já que éramos só 10 pessoas na igreja, e cada leitura que fazíamos em português, o padre explicava depois em holandês pros parentes. Pra completar, a Laurinha foi batizada com a vela e a toalhinha de cabeca mandados do Brasil, um pulseirinha que ganhou dos avós quando nasceu e uma que ganhou dos padrinhos e, no pescoco, um Agnus Dei que a Aninha usava pra ir à missa das criancas com a Tia Avó, quando era bem pequena.
Na hora de molhar a cabeca da Laurinha, ela, que adora uma piscina,
tentou enfiar a mão e a cabeca inteira na pia batismal, mas os padrinhos
seguraram bem. Depois da cerimônia, ainda ficamos conversando um tempo na igreja enquanto ela brincava.
Depois do batizado, fomos ao centro de Gouda pra almocar. Como a gente não conhece realmente a cidade, pedimos aos primos que sugerissem um restaurante no centro velho, pra facilitar o turismo depois. Nos dividimos pras caronas, e fomos todos prum lugar que o Peter sugeriu, bem no markt (a praca do mercado), em frente à prefeitura e perto da loja original dos stroopwafels. O restaurante tem vários pratos à base de queijo Gouda, e vários de nós pedimos um "Goudse Trio": uma sopa de queijo, um croquetão de queijo e um sanduíche de queijo. Pra beber, uma Goudse Trippel.
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| Laurinha no ombro do papai, Padre Theodorus e Ronald |
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| Rudchen, Aninha, Laurinha, Peter e Tia Nel no restaurante |
Pena que com tanta gente, foi difícil manter uma conversa longa com todo mundo. A barreira de língua também dificultou um pouco conversar com a Tia. Mesmo assim, ficamos mostrando e vendo fotos das famílias (IPhone é uma beleza pra essas coisas), e trocando informacões mais recentes. Eles também foram super simpáticos, todos trazendo presentes pra Laurinha. Um bem interessante foi o que os tios deram: um jogo infantil de talheres decorados com a turma da Nijntje, o personagem de quadrinhos e desenho animado mais famoso da Holanda, e que a gente não conhecia. Acho que foi legal, com a Laurinha tendo sido batizada lá, esse pedacinho de insercão cultural.
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| Nijntje |
Todos os outros presentes, inclusive os que vieram do Brasil, também
foram muito legais: a Laurinha ganhou arquinho de cabelo, álbum de
batizado, uma girafa e um porquinho de pelúcia, vestidinhos e a
pulseirinha linda que os padrinhos trouxeram.
Ao fim do almoco, os tios ainda nos surpreenderam pagando a conta antes que eu pudesse fazer isso. Eles ficaram bem felizes com o convite, e também com o simples fato de darmos essa importância ao lugar onde eles moram, e ir batizar a Laurinha lá. No fim das contas, a Tia Nel é a única ainda viva entre meu avô e seus irmãos, e ir ao batizado da bisneta do irmão mais velho na cidade onde ele morava, depois de ele ter ido embora do país há 66 anos e falecido há 29, não deixa de ser um momento emocionante. Nos despedimos de todos, e o Rudchen e o Ronald ainda ficaram com a gente mais um pouquinho.
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| Tia Nel, Ronald, Tio Gerard e nós |
Depois de tanto tempo em trem, carro, igreja e restaurante, precisávamos deixar a Laurinha correr solta um pouco, e o markt é o lugar ideal pra isso. E ela não perdeu tempo, como dá pra ver na foto e no video abaixo. Foi engracado, porque os casamentos na prefeitura de Gouda são bem
tradicionais, e tinha uma série deles naquele dia. E entre os convidados
e suas roupas, as charretes e os noivos, a Laurinha parecia que era
parte da festa deles.Teve até casal de noivos dando tchauzinho pra ela
na charrete. Acho que por pouco não pediram ela emprestada pra tirar
foto, com aconteceu naquele tamancão em Amsterdam.
Depois foi mesmo turistagem. Passeamos na cidade velha, fomos à Catedral de São João Batista, à loja de queijos, à padaria De Vlaan comprar stroops e sentamos pra tomar café com mais stroops e doces numa ruazinha que sai do markt. No final, voltamos ao restaurante do almoco pra mais uns beliscos de queijo, cervejas e pra encerrar o dia.
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